Sinto envelhecer, envelhecer rapidamente... E, de todas as falsas rugas que tento esconder, a que mais me dói é a do saber de tudo aquilo que me é uma simples questão de vaidade. E aqui estou eu, disfarçada de humana nua. Desfrutem daquilo que minto pra mim mesma.

sábado, 26 de junho de 2010

Geração reciclada...


Satisfeitos eram aqueles grandes pensadores dos tempos de antigamente - o novo era novidade. Naquele tempo havia um espaço vazio para se construir casas. Hoje, só há espaço em cima das casas para se construir prédios. Farrapos costurados de diferentes partes do tempo servem hoje como arte contemporânea, roupa contemporânea, vida contemporânea, lixo contemporâneo. E assim em tudo se repete.
Eu, particularmente, gosto de espaços vazios. Deveriam preservar grandes lotes de espaços vazios como hoje preservam espaços verdes. Deixando-os ali, virgens, para as próximas gerações. Às vezes, em períodos de grande ócio, vou à procura de algum, mas sempre acabo encontrando casas e mais casas dos antigos pensadores. Acredito que essa seja a maior injustiça dos novos tempos (que, por sinal, de "novo" só tem o nome). O que resta pros aventureiros do século XXI é acampar nos espaços vazios de cima das casas. E a capacidade de viver em constante mudança é, provavelmente, sua maior vantagem. A grande maioria dos mais velhos, é claro, não tem mais idade pra essas coisas. E essa juventude atual que se diz nova vive confundido "novidade" com "tecnologia polishop". No final, tanto os mais velhos quando os seus filhos preferem suas casas de paredes ridiculamente grandes e feitas de tijolo e cimento, construídas a partir de toneladas de pensamentos seguros de última geração.
Corajosos devem ser esses grandes pensadores que estão por vir, que estão para descobrir o avesso das coisas. Onde a novidade é que o novo já virou antigo, nesse tempo que há casas para se construir espaços vazios.

Juliana S. K.

6 comentários:

  1. Grandes pensadores descobrindo o avesso das coisas e, talvez na falta do que descobrir, inventando.

    E, se não há espaço em terra, nos resta desbravar os mares além-atmosfera, onde nunca vai haver um limite (a não que você escolha patética ou convenientemente impor algum)...

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  2. Há de se haver, nem que seja em outra galáxia, o infito nunca se esvai completamente.

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  3. ou.....que tal implodir as casas e liberar espaço?
    separe o que restar dos escombros, se é que algo pode ser utilizado, e construa teu espaço...

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  4. Há de chegar um momento que não será necessário implodir casas, ou qualquer outro tipo de ocupação, e liberar espaço. Não haverá escombros a separar, estes além de necessários, seriam os remanescentes mais divertidos; sistema; pensadores e consequentemente "novas" gerações. Haverá espaço. Haverá o nada-tudo. Assim sussurou a Natureza em meu ouvido.

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  5. sua irmazinha me falava de seus dotes...agora eu acredito.

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  6. "... e o que há algum tempo era jovem e novo hoje é antigo e precisamos todos rejuvenescer..." (belchior)
    e eu também adoro espaços vazios! ;)

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