Na minha infância, ao me encontrarem fitando um ponto distante e abstrato, certas pessoas costumavam me oferecer uma moeda em troca do pensamento. Agora, ofereço minha resposta de graça àqueles que, depois de um riso quase mudo, ouviam-me dizer um "nada!", e mais nada.

Se quer saber, não é a lágrima de poeta e nem o riso da criança. É a indiferença que corrói. É o som abafado dos momentos que não compartilho, como uma doença que cresce e não sinto. É a mente que esfarela, desintegra... O estágio zero que mutila e desgasta. É o cansaço de coisa alguma sem movimento, a imagem estática de uma paisagem artificial. É ver se distanciar e não querer estender a mão. É não acolher a mente no corpo, é não acolher o corpo no meio... É perder o meio. É invalidá-lo e comê-lo, sem fome, sem olhá-lo, sem prazer. E o tempo, como o céu, infinito e distante, sem pressa, não liga. Desliga e não apodrece, virando semelhante, virando irmão. Não é a fertilidade infame, o romance romântico ou o amor destruído. Não, nada disso. É o gosto de ser traída por si, pela fortuna de energia e perspectiva adolescente que tem toda vida pela frente, transbordada de dor maquiada de dor que não dói, sem nem saber se dói, sem saber de nada. É a juventude vivida e perdida, distorcida, contorcida e contornada. É a inércia nata abstrata em sintonia com o universo. É, finalmente, a grande sensação que explode, a imensurável vontade absoluta de não falar, de não ter, fatalmente, mais nada a dizer.

Se quer saber, não é a lágrima de poeta e nem o riso da criança. É a indiferença que corrói. É o som abafado dos momentos que não compartilho, como uma doença que cresce e não sinto. É a mente que esfarela, desintegra... O estágio zero que mutila e desgasta. É o cansaço de coisa alguma sem movimento, a imagem estática de uma paisagem artificial. É ver se distanciar e não querer estender a mão. É não acolher a mente no corpo, é não acolher o corpo no meio... É perder o meio. É invalidá-lo e comê-lo, sem fome, sem olhá-lo, sem prazer. E o tempo, como o céu, infinito e distante, sem pressa, não liga. Desliga e não apodrece, virando semelhante, virando irmão. Não é a fertilidade infame, o romance romântico ou o amor destruído. Não, nada disso. É o gosto de ser traída por si, pela fortuna de energia e perspectiva adolescente que tem toda vida pela frente, transbordada de dor maquiada de dor que não dói, sem nem saber se dói, sem saber de nada. É a juventude vivida e perdida, distorcida, contorcida e contornada. É a inércia nata abstrata em sintonia com o universo. É, finalmente, a grande sensação que explode, a imensurável vontade absoluta de não falar, de não ter, fatalmente, mais nada a dizer.